O Túnel do Tempo

O Túnel do Tempo, em 6 de novembro de 2018

O TÚNEL DO TEMPO

(Chegou ao seu destino!)

Foi com estas palavras na cabeça que ele acordou sobressaltado e confuso.

Uma imensa claridade feria-lhe os olhos e cegava-o, não o deixando entender o espaço que o rodeava. Apenas tinha uma leve sensação de que uma imensa sombra se afastava rapidamente, deixando-o à mercê daquela incandescente luz que lhe feria os olhos desabituados à claridade, enquanto um forte sopro lhe arrepiava a pele desnudada, ao mesmo tempo que ouvia o forte ribombar de imensas vagas que o atordoavam, parecendo que o queriam despedaçar com a sua força descomunal.

Verdadeiramente assombrado e assustado, tentou entender aquela situação. Mas apenas se lembrava daquela frase enigmática:

(Chegou ao seu destino!)

Teria ele concluído uma longa viagem? De onde, se a sua memória lhe parecia completamente vazia, nem sequer se recordando de quem era ou de onde viera?

Estaria ele ali para cumprir alguma missão? Qual, se nada mais lhe teria sido dito para além daquelas palavras, só sabendo que estava ali, desprotegido e nu, num local inóspito, sem ninguém, em plena luz e ameaçado por imponentes massas líquidas que o afligiam….

A pouco e pouco, foi-se habituando à forte claridade que, afinal, era só o intenso sol a que ele estava exposto, começando a aperceber-se de que estava num interminável areal cheio de dunas, bem próximo de um mar revolto de vagas descomunais, que eram impelidas por um forte vento que lhe arrepiava a pele.

Com algum esforço, tentou erguer-se, começando a achar que aquele espaço imenso e inóspito não lhe era estranho de todo. Contudo, continuava a não entender como viera até ali, o que ali fazia, completamente despido e só, nem para onde se deveria dirigir.

Na sua memória havia apenas a vaga recordação daquela enigmática frase, cujo conteúdo já começava a esquecer, e que o acordara para aquele espaço e aquele tempo que ainda não conseguia identificar:

(Chegou ao seu destino!)

Ao olhar com mais atenção para o espaço que o rodeava, reparou melhor nas grandes dunas, barreiras imensas que o separavam da frondosa floresta que supunha existir para além, já que um leve aroma verde e fresco lhe parecia tocar as narinas, tal como barreira intransponível era aquele mar imenso de vagas alterosas e com um cheiro acre e intenso que ele não se atrevia a enfrentar. Por seu lado, o céu era um infinito cristalino de azul, coroado por aquele sol que lhe crestava o corpo descoberto e indefeso, vislumbrando-se apenas uma estranha nuvem, um círculo perfeito com um ponto negro no centro, como se fosse uma enigmática passagem, que se ia desvanecendo e afastando aos poucos, até desaparecer totalmente no imenso azul.

Entretanto, um cheiro humano e conhecido, trazido pela forte aragem, fê-lo sorrir, decidindo-o a seguir aquele rasto aromático e quente de gente, esforçando-se por não perder aquela segura pista que o iria conduzir aos seus: aos seus parentes, à sua tribo.

Afinal, aquele mundo começava a ter algum sentido: havia alguém, bem próximo de si, com quem ele tinha algo em comum, a quem o ligavam fortes laços de afetividade e cumplicidade.

Pouco depois, sons de vozes indicavam-lhe que, realmente, estava no caminho certo, o que lhe deu coragem para subir a uma das dunas de onde pôde logo vislumbrar um grupo de homens cobertos de grossas peles de urso, armados de enormes estacas afiadas, como se estivessem à caça ou para atacar alguma tribo inimiga, mas que, sem sombra de dúvida, o procuravam, chamando, com uma certa aflição:

– Krushny! Krushny!

Naquele momento vi a minha família e fiquei alegre. Corri para junto deles dar um grande abraço

Então a minha mãe disse:

– Finalmente encontrámos o nosso filho!

Como eu continuava nu, um grupo de homens decidiu ir caçar ursos para fazer roupa para mim e para termos comida para os próximos dias, aproveitando os ossos para fazer armas.

Nessa mesma noite, após termos caçado um urso, acendemos a fogueira e fizemos uma jantarada sentados à volta da fogueira e aproveitei para contar o que me tinha acontecido.

Eu estava numa ilha e fui levado por uma onda gigante. Entretanto apareceu um golfinho. Pedi-lhe ajuda e o golfinho levou-me para uma ilha muito longe dali. Chegado à ilha, vi paus e lianas para construir uma jangada.

Demorei alguns dias a construir a minha jangada e fui-me alimentando das frutas que havia.

Para não ter fome durante a viagem, juntei algumas frutas e pus na jangada.

Quando estava tudo pronto, decidi partir.

Durante a viagem, como o mar estava muito bravo, uma onda atirou-me contra uma rocha, perdi os sentidos e a minha memória, e nunca mais me lembrei de nada, até agora.


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